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Saiba quem era o motociclista morto após discussão com motorista de ônibus em João Pessoa

Arquivo Pessoal/Ana Beatriz

O motociclista que morreu após um acidente envolvendo um ônibus, na tarde da última quinta-feira (23), no bairro do Cuiá, na Zona Sul de João Pessoa, foi identificado como o vidraceiro Matheus de Souza Soares, de 26 anos. Descrito por familiares como alegre, dedicado e cheio de sonhos, ele deixa esposa, familiares e amigos.

Em entrevista ao Jornal da Paraíba, a esposa de Matheus, Ana Beatriz, relatou detalhes da personalidade e da trajetória do jovem, marcada por companheirismo e planos para o futuro.

Segundo ela, Matheus era um homem de “riso fácil”, “alto astral” e sempre disposto a ajudar o próximo.

“Um ser especial, fora do normal”

Para Ana Beatriz, esposa de Matheus, falar sobre o companheiro é revisitar memórias de um relacionamento que, segundo ela, era construído diariamente com afeto e parceria.

“Matheus era um ser especial, fora do normal. Tinha um riso fácil, era amigo, companheiro, filho presente. Sempre alegre, brincando, ria alto. Ele tinha um alto astral que contagiava todo mundo”, contou.

Segundo ela, o jovem também se destacava pela forma como se importava com as pessoas ao redor.

“Ele apoiava todo mundo que precisava. Sempre dizia: ‘você consegue’, ‘você pode’, ‘eu te ajudo’. Ele fazia questão de levantar quem estava ao lado dele”, disse a viúva.

Matheus também tinha ligação com a igreja, onde participou da Força Jovem Universal (FJU) e chegou a atuar como obreiro, reforçando o perfil de alguém envolvido com a fé e com a comunidade.

Uma história de amor construída no cotidiano

Arquivo Pessoal/Ana Beatriz

O relacionamento do casal começou ainda na escola, em 2018, mas foi em 2020 que eles se reencontraram e decidiram viver juntos. O primeiro encontro, em julho de 2021, marcou o início de uma convivência intensa.

“Desde o nosso primeiro encontro, nunca mais nos largamos. Desde aquele dia, nunca mais dormimos separados. Estávamos juntos para tudo que qualquer ser humano possa imaginar”, relatou Ana Beatriz.

A rotina compartilhada era simples, mas cheia de significado. Pequenos gestos como assistir vídeos no sofá ou dormir abraçados se tornaram lembranças que agora carregam um peso ainda maior.

“Todas as noites ele dizia: ‘amor, me abraça’. E nos últimos dias ele me perguntou: ‘você me ama muito, né? Acho que você não saberia viver sem mim’. E realmente eu não sei”, conta Ana

Além da vida pessoal, Matheus vivia um momento de crescimento profissional. Há cerca de quatro meses, ele havia aberto a própria empresa no ramo de vidraçaria

Arquivo Pessoal/Ana Beatriz

“Ele falava: ‘amor, nós vamos mudar de vida, você crê?’ E eu dizia que sim. Ele apertava minha mão e me abraçava. Ele acreditava muito na gente”, projetava Matheus.

Segundo a esposa, o negócio estava indo bem e o casal já fazia planos para o futuro. A morte repentina interrompeu projetos que estavam apenas começando a ganhar forma.

Longe da correria do trabalho, Matheus levava uma vida simples. Gostava de assistir vídeos no YouTube, descansar no sofá de casa e praticar jiu-jitsu, atividade que o motivava e da qual se orgulhava. E mantinha uma vida saudável, ele não bebia e nem fumava.

Rotina simples e despedida sem aviso

O dia do acidente começou como qualquer outro. O casal acordou cedo, tomou café da manhã junto, algo que, segundo Ana Beatriz, nem sempre acontecia.

“Ele não costumava comer na mesa, mas naquele dia sentou comigo. Disse que não conseguia comer cedo, tomou só um cappuccino e guardou o sanduíche”, relembrou.

Depois disso, Matheus a deixou no trabalho e seguiu com a própria rotina. Durante o dia, chegou a relatar um susto no trânsito, em tom de brincadeira.

“Ele me ligou rindo e disse que quase ‘virava estampa de camisa’ depois que um carro fechou ele. Falou rindo”.

Horas depois, ele voltou para casa e, mesmo após a esposa sugerir que não fosse buscá-la, decidiu ir ao encontro dela.

“Eu disse que não precisava, mas ele respondeu: ‘deixa de choro, você sabe que eu vou’”. Foi nesse trajeto que o acidente aconteceu.

Investigação e pedido por justiça

Perícia no local da discussão e no ônbus. Diogo Pinheiro/TV Cabo Branco

O motorista de ônibus Carlos Eliezer Pereira de Carvalho, suspeito de atropelar Matheus após uma discussão de trânsito, teve a prisão preventiva mantida após audiência de custódia e foi encaminhado para a Penitenciária Desembargador Flóscolo da Nóbrega, o presídio do Róger, em João Pessoa.

O suspeito já havia sido preso por um crime semelhante. De acordo com um processo que o Jornal da Paraíba teve acesso, o homem chegou a ser preso no ano passado por jogar um ônibus em cima de um carro de uma mulher “diversas vezes”.

Familiares e amigos do jovem pedem justiça e cobram respostas sobre as circunstâncias do caso. Agora, o que permanece são as memórias e a ausência.

“Eu sempre vou ter certeza que fui amada até o último suspiro, de forma verdadeira e intensa. Ele era a minha alma gêmea. Eu queria ele aqui comigo, porque nossos sonhos não poderiam ter terminado dessa forma”, finalizou a viúva Ana Beatriz.

A morte de Matheus deixa a dor da perda e também o retrato de um jovem que, para quem o conhecia, era sinônimo de alegria, amor e esperança no futuro. Matheus foi enterrado na tarde da sexta-feira (24), no Cemitério Santa Catarina, no Bairro dos Estados, em João Pessoa.

Motociclista que morreu após ser atropelado por motorista de ônibus é enterrado, em João Pessoa – Foto: Ana Beatriz Rocha/TV Cabo Branco. Gustavo Demétrio