Missão lidera crescimento, mas maioria dos partidos perde filiados na Paraíba
Apesar da forte movimentação política durante a janela partidária, com dezenas de parlamentares e pré-candidatos trocando de partidos para disputar as Eleições de outubro, na Paraíba o movimento foi de retração para os grandes partidos, quando se observa o número total de filiados, e de ganhos para siglas menores.
Um levantamento do Jornal da Paraíba, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aponta que, entre os meses de janeiro e início de abril, o total de filiados passou de 331.163 para 330.899, uma redução de 264 filiados (-0,08%).
O recém-criado partido Missão, ligado ao Movimento Brasil Livre, porém, foi a sigla que mais ganhou em número de filiações líquidas, ultrapassando 100 novos membros. É uma tendência também observada nacionalmente.
O dia 04 de abril foi a data-limite para filiação de quem pretendia concorrer no pleito de 2026. Apesar de retração geral, alguns partidos apresentaram crescimento no período, dentro do quadro geral de filiados.
Siglas menores lideram
Partidos menores lideraram a alta de filiados no primeiro trimestre do ano. O principal destaque é para o Missão, do Movimento Brasil Livre (MBL), de linha liberal, que registrou 106 novos filiados. Ao todo, tem 214 filiados.
Também tiveram alta o PSOL (+22) e a UP (+22), seguidos por Solidariedade (+14), Rede (+9), Democrata (antigo Partido da Mulher Brasileira) (+8), DC (+2) e Mobiliza (+2). Avante e PSTU não tiveram variação.
Partidos grandes com maiores perdas
Por outro lado, as perdas foram mais disseminadas e concentradas em partidos tradicionais. O PSDB, que perdeu protagonismo e suas principais lideranças na Paraíba, lidera a queda, com 79 filiados a menos, seguido por MDB (-70) e União Brasil (-70). Também registraram reduções relevantes o PP (-40), PSB (-38) e PDT (-34).
Outras siglas com saldo negativo incluem PSD (-24), PT (-17), Republicanos (-17), PV (-17), PL (-16) e Podemos (-14), além de partidos como Agir (-9) e Cidadania (-5). Partidos nanicos, como PCdoB (-3), PCO (-2), PCB (-1) e PRTB (-1), também apresentaram recuo.
O que os números indicam?
O período analisado coincide com a janela partidária, realizada entre 5 de março e 3 de abril, quando parlamentares puderam trocar de legenda sem perder o mandato, e com o prazo final de filiações para quem vai concorrer.
Embore a redução total de filiados chame a atenção, ela não foi significativa. Assim, os números podem ser interpretados mais como um “rearranjo” de eleitores entre partidos do que que com uma perda significativa do sistema partidário.
Quando a comparação envolve as últimas eleições, no entanto, o cenário é mais claro. Um levantamento anterior, do Jornal da Paraíba, mostra que o partido Republicanos lidera com folga o crescimento de filiaçõesno período de 2022 a 2026. Foram mais de 5 mil novos filiados.
Importância das filiações
A filiação é a formalização de um vínculo entre o eleitor e um partido político, sendo uma condição para que o eleitor possa disputar as eleições e aparecer na urna. Também é um ato que reforça as bases da legenda, aumentando sua influência entre a população.
Segundo o TSE, a filiação é um atributo legal e fundamental para que alguém possa ser votado, na qualidade de candidato, em uma eleição, levando em conta o artigo 14, parágrafo 3°, inciso V, da Constituição Federal.
Além disso, o artigo 16 da Lei dos Partidos Políticos (Lei nº 9.096/1995) informa que somente pode se filiar a um partido o eleitor que estiver em pleno gozo de seus direitos políticos.
O comparativo utilizado na reportagem considera as bases oficiais do Tribunal Superior Eleitoral até a última atualização, nos primeiros dias do mês de abril.