PB INFORMA

Notícias da Paraíba e Nordeste, futebol ao vivo, jogos, Copa do Nordeste

Noticias

Caracol-gigante-africano pode transmitir doenças graves; veja como identificar e evitar riscos

Freepik

O aumento da presença do caracol-gigante-africano em áreas urbanas, especialmente durante o período de chuvas, acende um alerta para os riscos à saúde pública e para a necessidade de um manejo adequado da espécie.

Em entrevista ao Jornal da Paraíba, o biólogo Francisco José Pegado Abílio, professor do Departamento de Metodologia da Educação do Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), destacou que a informação correta é essencial para evitar tanto acidentes com o molusco quanto impactos ambientais.

Segundo o pesquisador, um dos principais desafios é combater a desinformação sobre a espécie. Ele explica que muitas pessoas acabam matando moluscos nativos, ameaçados de extinção, por acreditarem que se tratam do caracol-gigante-africano.

“É necessário fazer um trabalho importante de educação para a saúde nas escolas, na mídia e divulgar informações corretas. Existem pessoas matando animais nativos achando que são o caracol gigante africano”, afirmou.

O professor também chama atenção para a nomenclatura correta. De acordo com a literatura científica, o termo adequado é caracol-gigante-africano, enquanto caramujo se refere a moluscos de água doce ou ambientes aquáticos.

Como fazer o controle do caracol

Reprodução/Prefeitura de Campina Grande

O biólogo alerta que métodos populares utilizados para eliminar o animal, como aplicar sal, cal, detergente ou outros produtos químicos, não são recomendados.

Segundo ele, essas substâncias podem contaminar o solo e ainda não garantem a eliminação completa da espécie, já que alguns exemplares podem sobreviver.

“A orientação é não utilizar sal, cal ou detergente. Esses produtos contaminam o ambiente e podem não resolver o problema”, explicou.

A recomendação é recolher os animais utilizando luvas ou um saco plástico, evitando o contato direto. Depois, eles devem ser colocados em um recipiente e incinerados, conforme orientações de manejo adotadas por órgãos públicos.

O caracol-gigante-africano é uma espécie exótica invasora, introduzida no Brasil para criação como escargot. Atualmente, sua comercialização, transporte e cultivo são proibidos.

Além da facilidade de adaptação ao ambiente, o animal apresenta alta capacidade reprodutiva. Por ser hermafrodita, pode realizar autofecundação em determinadas condições e produzir mais de 300 ovos por ano, favorecendo a rápida disseminação. Hoje, segundo o pesquisador, a espécie já está presente em praticamente todo o território brasileiro.

Doenças podem causar meningite e complicações abdominais

Reprodução/Internet

O professor alerta que o principal risco relacionado ao caracol-gigante-africano é a possibilidade de transmissão da angiostrongilíase, doença causada por vermes dos quais o molusco pode ser hospedeiro.

Entre as formas da doença estão a angiostrongilíase abdominal, que provoca graves lesões no intestino e no peritônio, e a angiostrongilíase meningoencefálica, que afeta o sistema nervoso central e pode evoluir para um quadro semelhante à meningite.

Segundo ele, essas infecções podem provocar complicações graves, incluindo paralisia e, em alguns casos, morte.

O pesquisador afirma que o Brasil já registra casos confirmados da doença, inclusive com óbitos em estados como Rio de Janeiro e Minas Gerais, além da identificação de caracóis naturalmente infectados em diversas regiões do país.

Contato deve ser evitado

O biólogo explica que o risco de contaminação está no muco deixado pelo animal durante seu deslocamento. É nessa secreção que podem estar presentes os vermes responsáveis pela transmissão da doença. Por isso, a orientação é evitar qualquer contato direto com o molusco.

“Não se deve deixar crianças brincarem com esses animais ou permitir que eles passem sobre a pele. O contato com o muco deve ser evitado”, ressaltou.

Caso seja necessário recolher os caracóis, a recomendação é utilizar equipamentos de proteção, como luvas ou sacos plásticos, e higienizar as mãos após o procedimento.

Chuvas favorecem aparecimento

De acordo com Francisco Abílio, o aumento da quantidade de caracóis observado durante o período chuvoso ocorre porque esses animais vivem enterrados no solo ou escondidos sob folhas, pedras e telhas. Quando o terreno fica encharcado, eles saem para a superfície, tornando-se mais visíveis.

“As chuvas fortes fazem com que esses animais deixem o solo, onde normalmente permanecem enterrados por longos períodos. É por isso que a população percebe um aumento significativo nessa época do ano”, explicou.

O pesquisador reforça que o enfrentamento da espécie passa pela educação ambiental, pela correta identificação do caracol-gigante-africano e pela adoção de práticas de manejo que não provoquem novos impactos ao meio ambiente nem coloquem a população em risco.