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Câncer matou Bob Marley há 45 anos

Quem me levou ao reggae foi Jimmy Cliff, por volta de 1970, com o single Vietnam. Mas quem me levou a Bob Marley foi Gilberto Gil.

1977. O show era Refavela, Teatro Santa Roza lotado, em João Pessoa. Eis que entra aquela canção em inglês, linda, um balanço irresistível. E a letra?

“Good friends we have, good friends we’ve lost, along the way”. E a versão para o português: “Amigos presos, amigos sumindo assim, pra nunca mais”.

No Woman, No Cry. Não Chore Mais. O que era aquilo? Quanta beleza havia naquele momento mágico de Refavela?

Claro, fui atrás da canção, fui atrás de Bob Marley, fui atrás do reggae jamaicano, que eu já ouvira nos discos dos artistas brancos – Paul Simon, Eric Clapton, Paul McCartney, o Led Zeppelin, os Rolling Stones, Elton John, John Lennon.

Gilberto Gil conhecera o reggae em Londres, durante o exílio. Bob Marley foi para Londres e lá se projetou através do empresário inglês Chris Blackwell, o cara do selo Island, que, mais tarde, descobriria o U2.

Na Jamaica, onde Robert Nesta Marley nasceu, em fevereiro de 1945, todo mundo já ouvira e dançara o calipso. O reggae vem dali.

Ritmo contagiante (lembra o nosso xote, já dizia o grande Dominguinhos), dançante, acrescido de letras de forte conteúdo social e político. E tem a religião, tem o uso da maconha, tem tanta coisa.

Era Bob Marley e The Wailers, sua banda. Mas o nome de Marley se sobrepôs naturalmente ao grupo. O artista se transformou num símbolo fortíssimo, numa imagem icônica por vezes maior do que a própria música.

A música e a imagem de Marley resistem ao tempo, 45 anos depois da morte por um câncer que o levou rapidamente naquele 11 de maio de 1981. Tinha apenas 36 anos.

No Brasil de 1979, Não Chore Mais, a versão que Gil fez para No Woman, No Cry, se transformou num dos hinos da anistia, que logo traria os exilados (Miguel Arraes, Leonel Brizola, Fernando Gabeira) de volta aos seus lugares e às suas lutas políticas.

Lá na frente, em 2002, Gilberto Gil gravou um tributo a Bob Marley. Kaya virou Kaya N’Gan Daya. O reggae de Marley dialoga com a música do Brasil (do Nordeste, em particular), através do seu extraordinário difusor entre nós.

“Everything’s gonna be all right” – cantava Bob Marley nos anos 1970. Continua cantando. “Tudo, tudo, tudo vai dar pé” – cantava Gilberto Gil em 1979. Continua cantando. Precisamos mesmo que tudo dê pé.