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Cartaxo, Cida e o risco de ‘ganhar e não levar’

Mais uma vez o PT de João Pessoa caminha para uma disputa fraticida. Assim como aconteceu em 2020, o partido reluta em chegar a um consenso sobre a sucessão na Capital. E não falo sobre o processo de disputa interna, próprio da legenda e que a diferencia dos demais partidos.

A referência, aqui, transborda o roteiro protocolar seguido internamente.

Há hoje dentro do PT pessoense um grupo que trabalha para que a legenda não tenha candidatura própria competitiva em outubro; apoiando por aderência o projeto de reeleição do prefeito Cícero Lucena (Progressistas).

Uma posição equivocada, não externada claro, ou encoberta com o verniz de apoio à pré-candidatura da deputada Cida Ramos.

A verdade é que muitos petistas não confiam no ex-prefeito Luciano Cartaxo. Dizem que há um projeto pessoal, e não de partido. Temem que o enredo histórico dele, na legenda – quando trocou o PT pelo PSD/PV no momento mais crítico do petismo – possa se repetir.

Embora seja um bom quadro do partido, Cida está distante de ter o potencial eleitoral de seu principal adversário interno (Cartaxo). E é natural que isso ocorra, diante do capital político construído pelo ex-gestor em 8 anos à frente do município.

Ainda assim, a deputada tem recebido apoios. Hoje agrupamentos da CNB PT PB declararam, em nota, que querem tê-la como candidata. Em resposta ao movimento, Cartaxo abriu as maçanetas do gabinete da presidência nacional do partido, reunindo-se com Gleisi Hoffmann.

A definição do embate interno só deverá ter um desfecho no início de março, mas no fim das contas já é possível fazer um prognóstico: o PT pessoense está diante da possibilidade de ter uma candidatura pouco competitiva, com Cida Ramos; ou uma chapa esvaziada – com Cartaxo.

E isso é ruim para um partido que ocupa hoje a Presidência da República, tem tempo de TV e recursos, militância e bons nomes. Se houvesse um pouco mais de visão política, pragmática mesmo, a realidade poderia ser outra.

O PT de João Pessoa sofre hoje com um trauma do passado. O risco de ‘ganhar e não levar’ após o pleito. No fundo, essa é a tese que provoca aversão em alguns petistas, diante da possibilidade de uma candidatura de Cartaxo. 

A grande questão é que a política, apesar de não ser uma ciência exata como a matemática, é às vezes movida por cálculos. E dentro da atual engenharia o candidato Cartaxo é mais competitivo e reúne mais chances de ir adiante.

Se jogar às chamas a candidatura do ex-prefeito o PT conseguirá fugir dos riscos do passado, mas assumirá um outro encargo: o de não ser protagonista do pleito e ficar a reboque de outras legendas. Notadamente, do Progressistas de Cícero Lucena e do PSB de João Azevedo.

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