Veja crimes investigados em caso de mulher morta e mais de 100 com sintomas de intoxicação
A Polícia Civil apura dois crimes no inquérito que foi aberto para investigar a morte de uma mulher e mais de 100 pessoas com sintomas de intoxicação alimentar após comerem em uma pizzaria na cidade de Pombal, no Sertão da Paraíba. A informação foi confirmada ao Jornal da Paraíba pelo delegado Rodrigo Barbosa.
O primeiro crime avaliado envolve o consumo de alimento impróprio, previsto na Lei 8.137, que trata das relações de consumo. A infração consiste em vender, expor à venda ou entregar mercadoria em condições impróprias ao consumo, com pena de detenção de dois a cinco anos ou multa.
“A princípio, tem o crime relacionado ao consumo, que seria a principal linha de investigação. O mais importante é saber o que causou essas intoxicações. Quem tiver agido com negligência, ainda que de forma não culposa, pode responder. Pode ser o dono ou mesmo vendedores dos alimentos”, explicou o delegado.
O segundo crime investigado é o de homicídio culposo, em razão da morte da cliente, de acordo com o delegado. A vítima foi submetida a exame toxicológico, e amostras do corpo, dos alimentos e das pizzas foram recolhidas. O resultado do exame é estimado para sair em cerca de duas semanas.
“A morte dela passa a ser considerada um possível homicídio culposo. Precisamos esclarecer o que aconteceu com base nos alimentos que foram usados e tentar descobrir a possível contaminação”, afirmou.
Segundo a polícia, todos os envolvidos na cadeia de preparo e venda dos alimentos podem ser responsabilizados, caso fique comprovada negligência. Até o momento, o dono da pizzaria não foi intimado a prestar depoimento.
A Polícia Civil considera improvável a hipótese de envenenamento intencional no caso da pizzaria investigada por provocar um surto de intoxicação alimentar. A corporação também investiga se pizzas de carne de sol na nata podem ter sido responsáveis por desencadear a morte da mulher e os sintomas de intoxicação alimentar em quem comeu no estabelecimento.
Ela morreu após comer esse sabor de pizza junto com o namorado, no último domingo (15), de acordo com a família dela.
Dono da pizzaria diz que “não quis machucar ninguém”
Em um vídeo enviado ao Jornal da Paraíba pela advogada Raquel Dantas, que representa Marcos Antônio, dono do estabelecimento, ele disse que lamenta a morte da mulher de 44 anos e todo o transtorno causado para as pessoas que tiveram que passar por atendimento médico.
“Quero salientar também que jamais eu tive a intenção de machucar qualquer pessoa, prejudicar qualquer pessoa. Porque eu sou jovem, tenho 24 anos e meu comércio é minha vida. Então, jamais iria me sabotar, jamais iria prejudicar, porque tudo o que conquistei foram seis anos de muita luta, muita renúncia e dificuldade. Minha última intenção seria prejudicar justamente os clientes que dão meu sustento, que dão meu pão”, disse.
Sobre essas investigações, ele afirmou que está colaborando com todos os órgãos citados e que também procura entender como aconteceu o caso que levou essa quantidade de pessoas a procurar atendimento médico.
“Eu estou colaborando com a vigilância, fornecendo amostras, com a Polícia Civil também, que eles pediram também, estamos enviando isso, estou entregando porque eu preciso da verdade. (Estou colaborando) com a prefeitura também. Eu preciso da verdade para me sentir bem”, ressaltou.