‘Foi ele quem me salvou’
Aos 23 anos, a modelo e influenciadora Kyhara Almeida viveu uma mudança brusca entre a expectativa da maternidade e uma luta pela própria sobrevivência. Após passar por uma cesárea de emergência, ela desenvolveu uma infecção grave, precisou retirar o útero e ficou internada por 21 dias, longe do filho recém-nascido.
Casada há oito anos com Vinícius, Kyhara realizava o sonho de ser mãe pela primeira vez com a chegada do pequeno Davi. A gravidez, segundo ela, ocorreu de forma tranquila, sem diagnósticos de risco e com uma rotina ativa até os últimos dias de gestação.
Em entrevista ao Jornal da Paraíba, a influenciadora contou que se preparou durante meses para viver um parto normal.
“Eu me preparei física e emocionalmente para aquilo”, relembra.
Kyhara afirmou que trabalhou até um dia antes de entrar em trabalho de parto e manteve uma rotina de exercícios ao longo da gestação. A expectativa era viver o nascimento do filho da forma como havia planejado.
Mas os planos começaram a mudar no dia 25 de janeiro.
Mais de 30 horas em trabalho de parto
Kyhara passou cerca de 31 horas em trabalho de parto. A bolsa rompeu, ela chegou a oito centímetros de dilatação e ainda acreditava que conseguiria realizar o parto normal planejado durante a gestação. No entanto, os médicos identificaram sinais de sofrimento fetal e decidiram realizar uma cesárea de emergência.
A influenciadora relembra o momento como um período marcado por medo, ansiedade e sensação de perda de controle.
“Psicologicamente, foi assustador. Eu senti que tudo saiu completamente do meu controle”, conta.
Mesmo diante da tensão, ela afirma que tentou concentrar os pensamentos apenas no filho.
“Eu me apeguei ao que realmente importava: ele. Cada minuto era crucial.”
Davi nasceu, mas os dias seguintes ficaram longe da tranquilidade que Kyhara imaginava viver ao lado do recém-nascido.
A febre que não passava
Poucos dias após a cesárea, Kyhara começou a apresentar febre alta constante. Inicialmente, segundo ela, o quadro foi tratado como uma infecção urinária.
A influenciadora recebeu alta hospitalar com prescrição de antibióticos, mas os sintomas continuaram mesmo em casa.
“Eu tinha acabado de passar por uma cesárea de emergência e seguia com quase 40 graus de febre. Dentro de mim, eu sentia que alguma coisa estava errada”, relata.
Dias depois, exames identificaram um abscesso abdominal de sete centímetros, uma bolsa de pus causada por infecção. A gravidade do quadro, porém, só foi descoberta durante uma cirurgia de emergência que durou cerca de cinco horas.
Segundo Kyhara, os médicos diagnosticaram uma endometrite, infecção no interior do útero que teria sido provocada pelo longo período em que a bolsa permaneceu rompida durante o trabalho de parto. A infecção já havia se espalhado para outras partes do organismo.
“Essa infecção acabou estourando os pontos do meu útero e permaneceu ali, causando toda aquela inflamação. O mais assustador é que já tinha atingido parte do meu intestino também. Graças a Deus, os médicos conseguiram reparar a área afetada, mas por muito pouco eu não perdi 40 cm do intestino e precisei passar por uma colostomia”, explicou.
Para salvar a vida da influenciadora, os médicos precisaram retirar o útero.
“Naquele momento, deixou de ser uma questão sobre futuras gestações. Era uma decisão para salvar minha vida”, disse.
“Existe um luto”
A retirada do útero também trouxe um forte impacto emocional para Kyhara. Aos 23 anos, a influenciadora passou a lidar com a impossibilidade de uma nova gestação enquanto ainda tentava compreender tudo o que aconteceu após o nascimento do filho.
“Existe um luto. É impossível não existir”, diz.
Ela conta que Davi continua sendo a maior realização da vida dela, mas admite que ainda enfrenta momentos difíceis no processo de recuperação emocional.
“Tem dias mais difíceis, principalmente quando surgem perguntas indesejadas como “e o próximo?” ou comentários de pessoas que não fazem ideia da história completa”, comentou.
Apesar das dificuldades, Kyhara afirma que tenta enxergar a própria trajetória com sentimento de gratidão.
“Tenho aprendido a olhar para tudo isso com muita gratidão também. Eu sobrevivi. Estou aqui. Posso ver meu filho crescer, viver minha maternidade e continuar minha vida ao lado da minha família. E hoje, acima de qualquer dor, isso é o que mais importa pra mim”, refletiu.
Puerpério vivido dentro de um hospital
Se a recuperação física já era dolorosa, emocionalmente Kyhara enfrentava outra ausência difícil de suportar: a distância do filho recém-nascido.
Quando voltou a ser internada após o parto, Davi tinha apenas 13 dias de vida. Kyhara permaneceu hospitalizada durante 21 dias e, ao receber alta, o filho já estava com 1 mês e 8 dias.
“Viver o puerpério dentro de um hospital, tentando sobreviver e ao mesmo tempo longe do meu bebê, foi uma das experiências mais dolorosas da minha vida”, relata.
A influenciadora afirma que, nos momentos mais difíceis da internação, encontrava forças ao pensar no filho.
“Era nele que eu pensava o tempo inteiro”, disse Kyhara e definiu Davi como “vida, força e esperança”.
“Ele não faz ideia ainda, mas foi ele quem me salvou também.”
Relato compartilhado nas redes sociais
Meses após a recuperação, Kyhara decidiu compartilhar a própria história em um vídeo publicado no Instagram, rede social em que reúne mais de 60 mil seguidores.
Segundo a influenciadora, o relato repercutiu entre seguidores e abriu espaço para que outras mulheres também compartilhassem experiências relacionadas ao parto, pós-parto e atendimento médico.
Ao relembrar o caso, Kyhara afirma acreditar que houve falhas no atendimento recebido na unidade pública de saúde onde ficou internada. Ela relata ter se sentido desassistida durante parte do trabalho de parto e questiona a demora na identificação da gravidade da infecção.
“O mais assustador é pensar que, se demorasse mais um pouco, talvez eu não estivesse aqui hoje”, disse.
Apesar do trauma vivido, ela afirma que decidiu tornar pública a experiência como forma de alerta para outras mulheres.
“Eu quero que outras mães escutem o próprio corpo, façam perguntas e insistam quando sentirem que algo não está bem. Nenhuma mulher deveria passar por isso em um momento tão vulnerável”, finalizou.
Agora, Kyhara se prepara para viver o primeiro Dia das Mães ao lado do filho, que define como a principal força durante o período mais difícil da recuperação. Depois de tudo o que enfrentou, a data passou a ter um significado diferente: o de estar viva para acompanhar o crescimento de Davi e viver a maternidade.