Fora do Paraibano Feminino pela 1ª vez, Botafogo-PB paralisa categoria e ignora Lei da SAF
O maior campeão da história do Campeonato Paraibano Feminino não estará na disputa deste ano. Pela primeira vez desde a estreia do Botafogo-PB na competição, organizada pela Federação Paraibana de Futebol (FPF-PB), em 2011, o clube sequer entrará em campo para brigar pelo título estadual.
O Conselho Técnico que definiu o formato e o regulamento da competição deste ano foi realizado na última segunda-feira (21), na sede da FPF-PB. A reunião contou com a participação de nove clubes confirmados na disputa: Fluminense-PB, Guará, Liga de Guarabira, Marretinha, Mixto-PB, Picuiense, Pombal, Portuguesa-PB e Spartax. Sem mandar representantes ao encontro, as Belas do Belo oficializaram a ausência histórica no estadual.
O desinteresse do clube pelo futebol feminino começou a ficar evidente logo após o encerramento do estadual do ano passado. Na ocasião, as Belas do Belo chegaram a mais uma final, disputando o título contra o Mixto-PB, mas sendo derrotado nas penalidades.
Apenas 27 dias após a final, a SAF do Botafogo-PB desligou a treinadora Gleide Costa. A técnica, que teve duas passagens pelo clube e comandou as Belas por quase 15 anos, foi a principal responsável por transformar o time na maior referência da modalidade no estado.
Na época da demissão, o clube não informou quem assumiria a vaga. Na realidade, a saída de Gleide marcou a completa paralisação do futebol feminino no Botafogo-PB. De lá para cá, o Alvinegro da Estrela Vermelha não se movimentou para dar continuidade ou reformular o trabalho.
Das 14 edições do Campeonato Paraibano Feminino realizadas até hoje, as Belas conquistaram o título seis vezes, foram vice-campeãs em três oportunidades e ficaram com o terceiro lugar em outras duas ocasiões.
Foram 11 participações entre as três melhores equipes do estado e nove finais disputadas diretamente. Uma história de peso que merecia respeito e investimento contínuos.
O fortalecimento da modalidade, aliás, foi tratado como uma das obrigações da SAF desde o início de sua implementação, em fevereiro de 2025.
Detentora de 90% das ações do Botafogo-PB, a Sociedade Anônima do Futebol é a responsável direta por gerenciar o futebol profissional, as categorias de base, os ativos da marca e o futebol feminino.
O investimento na modalidade é, inclusive, uma obrigação legal. A Lei nº 14.193/2021 determina que os clubes que migrarem para o formato de SAF são legalmente obrigados a manter e investir no futebol feminino. Ironicamente, a regra não existia no antigo modelo associativo do clube, época em que as Belas não apenas estavam em plena atividade como ergueram as seis taças de sua história.
Mais do que uma promessa ou discurso, o fomento à categoria é uma imposição da lei, que parece não ter tido peso suficiente na tomada de decisões da diretoria.
Às vésperas de o Brasil sediar uma inédita e histórica Copa do Mundo Feminina, o Botafogo-PB caminha na contramão do desenvolvimento global da modalidade.
No momento em que o Nordeste vê um dos times de camisa da região, o Bahia, chegar à semifinal do Campeonato Brasileiro com um projeto competitivo e estruturado frente às potências do país, o maior campeão da Paraíba recua e paralisa suas operações na modalidade.
Em nota oficial enviada nessa terça-feira (22), o Botafogo-PB afirmou que “o futebol feminino é uma categoria muito respeitada pelo clube”, apesar do hiato de nove meses sem atividades.
A diretoria ressaltou que “está avaliando e estruturando o planejamento para as próximas temporadas” e garantiu que o tema “faz parte das discussões e do futuro do clube”. A nota, contudo, só não menciona que futuro é esse e quando, de fato, ele começa.
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