Mãe transforma rotina da filha com diabetes tipo 1 em livro infantil
O diagnóstico de diabetes apresenta uma série de desafios. Na infância, os impactos diretos na rotina são ainda mais fortes, e intensificados pelo desconhecimento ou preconceito. Como forma de diminuir os impactos na vida da filha, Rebecca Patrício escreveu o livro “Lena e o Bracinho Mágico”.
Em entrevista para a TV Cabo Branco, Rebecca conta que a filha Helena recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 1 no início de 2025. Neste tipo de diabetes, o corpo não consegue produzir insulina, o que torna o acompanhamento constante crucial.
A motivação para a escrita do livro foi justamente as mudanças na rotina de Helena, que precisou passar a utilizar vários equipamentos de saúde.
“(O livro) surgiu por conta de uma necessidade. Houve uma mudança de escola de Helena e aí as crianças que iriam conviver com ela não sabiam, ou provavelmente não vão saber o que é diabetes, diabetes tipo 1 e todos esses acessórios que geralmente a Helena usa no dia a dia. E aí surgiu o primeiro livrinho, Lena e o Bracinho Mágico, que fala justamente desse contexto, o que é diabetes tipo 1 e o que são as coisas que a Helena usa e o quanto isso não a impede de ter uma vida completamente normal”, detalhou.
A alimentação de Helena também sofreu adaptações que a mãe detalha em um segundo livro, “Lena e os Superpoderes das Comidas”.
“Com esse diagnóstico, a gente passa a ter uma rotina em que começa a utilizar a insulina, verificar o sanguinho, se está tendo uma glicose alta, baixa, se está estável, a utilizar também a tecnologia que hoje existe, que é para monitorar a glicemia dela constantemente, a contar carboidratos, a entender o que é proteína, carboidrato. É um outro universo. O que parecia trazer limitações trouxe uma oportunidade de enxergar o dia-a-dia de forma diferente”, explicou Rebecca.
O medidor de glicose acompanha Helena, que não se manteve limitada à doença. O aparelho mede constantemente a glicose e envia as informações diretamente para o celular dos pais, dos professores e da médica, permitindo que ela pratique esportes e se mantenha ativa.
“Eu fiquei com medo da primeira vez de fazer e botar o Libre. Aí eu descobri que não dói tanto botar o Libre e fazer a insulina”, falou Helena sobre a rotina de cuidados.
Os livros representam uma iniciativa lúdica direcionada para as crianças, mas também são uma forma de normalizar o diagnóstico para os adultos.
“A diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, ela não vem por um excesso, então a falta de conhecimento às vezes gera o julgamento. Então não é um excesso de doce, não é um sedentarismo, não. É a parte do corpo que parou de funcionar, tirou férias e não volta mais. E aí normalizar o dia a dia, respeitando o limite de cada um”, concluiu Rebecca.
Os dois livros estão disponíveis gratuitamente na internet, e podem ser acessados no perfil do Instagram do Clube da Lena.