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Animação paraibana aposta em lendas do Sertão para preservar cultura popular

As histórias sobre botijas enterradas, o Velho do Saco, a Comadre Fulozinha, a Rasga Mortalha e o Pesadelo, transmitidas de geração em geração pela tradição oral no interior do Nordeste, ganharam uma nova linguagem. Produzida em João Pessoa, a animação “Caçadores da Botija” transforma essas lendas em um universo ficcional que busca preservar e valorizar a cultura popular nordestina.

Desenvolvido por um estúdio paraibano, o projeto reúne cerca de 70 profissionais, entre animadores, ilustradores, artistas de voz, roteiristas e diretores de arte. Nos últimos quatro anos, a produção participou de festivais e eventos do setor audiovisual e agora se prepara para expandir esse universo para novos formatos.

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Criador e diretor da animação, Dennis Sabino, natural de Itaporanga, no Sertão da Paraíba, conta que a ideia surgiu a partir das histórias que ouvia da avó durante a infância.

“Pensei muito em como poderia representar a cidade onde eu nasci. Lembrei das histórias da minha avó sobre a botija, sobre os tesouros escondidos, e isso foi moldando o projeto. Era uma história que já existia dentro das pessoas”, disse.

Segundo Dennis, a proposta é transportar para a animação a atmosfera das histórias que marcaram a infância de muitas famílias nordestinas.

“O Caçadores da Botija pega muito essa essência do sertão, daquele medo que surgia quando alguém contava histórias do Velho do Saco, do Pesadelo, da Comadre Fulozinha ou da Rasga Mortalha”, explicou.

Memória popular como ponto de partida

Reprodução/Mold Studio

Na animação, a lenda da botija conduz a história principal. Ao longo dos episódios, outros personagens do imaginário popular nordestino também passam a integrar a trama.

A roteirista Ana Paula Aguiar explica que muitas das histórias presentes na produção foram compartilhadas pelos próprios integrantes da equipe.

“A história do Pesadelo, por exemplo, foi contada pela minha avó. No interior da Paraíba existe a crença de que, para vencer o Pesadelo, é preciso tirar o chapéu dele. Quando compartilhei essa lembrança com a equipe, todos concordaram que ela precisava fazer parte da série”, explicou.

Além das lendas, a produção também busca retratar aspectos característicos das cidades do interior nordestino. O diretor de arte Hitalo Duarte afirma que cenários, vegetação e construções foram desenvolvidos a partir de pesquisas sobre a paisagem da região.

“Queremos que o público reconheça elementos das cidades do interior do Nordeste em cada ambiente da história”, comentou.

Animação como ferramenta de preservação cultural

Reprodução/Mold Studio

Outro aspecto trabalhado pela produção é a valorização dos mais velhos como responsáveis por manter vivas as histórias populares.

Para Ana Paula Aguiar, as lembranças compartilhadas por avós e outros familiares serviram de base para a construção do universo da animação.

“A gente valoriza muito a voz dos mais velhos. Foram eles que mantiveram essas histórias vivas e permitiram que elas chegassem até nós”, finalizou.

Após participar de festivais e eventos do setor audiovisual, “Caçadores da Botija” pretende ampliar o projeto com o desenvolvimento de curtas-metragens, um longa-metragem e uma série, mantendo o foco na difusão da cultura nordestina por meio da animação.