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Relembre a história do Estrela do Mar, campeão paraibano de 1959 e que ajudou a formar Mazinho

Com a Copa do Mundo de 2026 em andamento, o torcedor paraibano volta no tempo para relembrar um dos capítulos mais marcantes da história do futebol brasileiro.

Na conquista do tetracampeonato mundial da Seleção Brasileira, em 1994, a Paraíba teve um representante em campo: o meio-campista Mazinho.

Único paraibano campeão do mundo com a camisa da Seleção, Mazinho é nascido em Santa Rita, na Região Metropolitana de João Pessoa, e foi revelado pelo Santa Cruz-PB. Mas, o que pouca gente lembra, é que ele também foi formado pelo Estrela do Mar, campeão paraibano de 1959.

(Arte: ChatGPT)

Clube que ajudou a formar Mazinho

Mazinho chegou ao Estrela do Mar com 12 anos, levado pelo professor Roberto Oliveira, em Santa Rita. No Estrela, atuava tanto no futebol de campo quanto no futebol de salão.

Tavinho,Dema,Mazinho,Elder,Weper,Cláudio,Rinaldo,Valdinho,Jaelson,Fabio e Ricardo.. (Foto: Arquivo Pessoal/Quinca)

Foram cerca de quatro anos vestindo a camisa do clube antes de seguir carreira no Santa Cruz.

Início do Estrela do Mar

A origem do Estrela do Mar remonta ao fim da década de 1940, quando o frei alemão Albino Klein decidiu construir um pequeno campo de futebol nos fundos do Grupo Escolar Santo Antônio, próximo à Igreja do Rosário, em Jaguaribe. A ideia era oferecer lazer às crianças e jovens.

Foi justamente desse ambiente que surgiu o Estrela do Mar Esporte Clube. A fundação oficial aconteceu em 6 de maio de 1953, após uma reunião entre jovens congregados marianos e frequentadores das Cruzadas. Ao todo, 36 pessoas participaram do encontro que marcou oficialmente o nascimento do clube.

(Foto: Reprodução/Wikipedia)

Entre os fundadores estavam nomes como Antenor Pereira, o “Izinho”, Carlos Pereira dos Santos, o “Carrinho”, Lucemar Serrano Navarro, Severino Holanda Barbosa, o “Viu”, João Batista Cruz e Pedro Gomes da Silva.

O nome “Estrela do Mar” foi inspirado em uma revista mariana criada no Rio de Janeiro, em 1909. Já as cores azul e branco remetiam à devoção mariana e acompanharam o clube durante toda sua trajetória.

Começo vencedor

Poucos anos depois da fundação, o Estrela do Mar já começava a ganhar espaço no futebol paraibano. Em 1956, conquistou o título amador de forma invicta e garantiu vaga no Campeonato Paraibano do ano seguinte.

(Foto: Arquivo Pessoal/Quinca)

Em 1957, estreou na elite estadual e terminou na terceira colocação, atrás apenas de Botafogo-PB e Auto Esporte Clube. O clube, porém, também viveu um momento trágico naquele ano. Um acidente envolvendo o ônibus da delegação causou a morte do jogador José Panta das Neves, conhecido como “Panta”, de apenas 19 anos.

Em 1958, o Estrela confirmou sua força ao terminar como vice-campeão estadual, ficando novamente atrás apenas do Auto Esporte.

O auge

O auge da história do Estrela do Mar veio no Campeonato Paraibano de 1959, cuja reta final acabou sendo disputada já em 1960. Sem os clubes de Campina Grande na disputa, os principais concorrentes eram o Auto Esporte e o Botafogo-PB. Mesmo assim, o clube de Jaguaribe surpreendeu e fez campanha histórica.

O Estrela terminou o primeiro turno com seis vitórias em sete partidas e precisou disputar um jogo extra contra o Auto Esporte para definir o campeão da fase. Venceu por 1 a 0 e ficou com o turno.

Na decisão estadual, novamente diante do Auto, o Estrela conquistou o título após uma série melhor de três jogos. O gol decisivo veio em cobrança de pênalti convertida por Hermes Taurino.

(Foto: Arquivo Pessoal/Quinca)

A campanha campeã contou com jogadores como Jola, Carrinho, Davi, Gilberto Cara de Gato, Aderbal Pitombeira, Hermes Taurino, Teófilo Luna, Coelhinho, Caju, Lúcio Câmara, Izinho, Emilson, Adjamir, Valdecir Pereira, Celso e Piaba. O treinador era Severino Holanda Barbosa, o “Viu”.

Disputa da Taça Brasil

Com o título estadual, o Estrela do Mar garantiu vaga na Taça Brasil de 1960, competição considerada o equivalente ao Campeonato Brasileiro da época. O adversário na estreia foi o ABC Futebol Clube.

No primeiro jogo, disputado em João Pessoa, o Estrela venceu por 2 a 1, com gols de Izinho e Bita. A equipe entrou em campo com Aderbal; Edson e Lola; Bita, Teófilo e David; Cajú, Andrade, Izinho, Coelhinho e Celso.

Mas a vantagem construída em casa não foi suficiente. Em Natal, o ABC goleou por 5 a 1 e forçou uma terceira partida. Dois dias depois, novamente no Juvenal Lamartine, os potiguares repetiram o placar de 5 a 1 e eliminaram os paraibanos.

Mesmo com a eliminação precoce, a participação marcou uma das primeiras experiências nacionais de um clube da Paraíba.

Fim do clube

A partir de 1961, o futebol paraibano passou por profissionalização definitiva. Como o Estrela possuía poucos atletas registrados profissionalmente, o clube deixou a elite estadual.

Ainda assim, continuou ativo nas competições mistas organizadas pela Federação Paraibana de Futebol e conquistou títulos em 1962, 1964 e 1966.

(Foto: Arquivo Pessoal/Quinca)

Além do futebol de campo, o Estrela também ganhou destaque em outras modalidades. O clube conquistou títulos no futsal, vôlei, basquete, atletismo e tênis de mesa. No início da década de 1980, sagrou-se campeão paraibano de futebol de salão de forma invicta.

Mesmo distante das grandes campanhas estaduais, o Estrela manteve seu principal papel: o trabalho social dentro de Jaguaribe, aproximando jovens do esporte e da convivência comunitária.

Como está o Estrela hoje?

No início dos anos 2000, um rompimento entre dirigentes do clube e a Igreja Católica fez o Estrela do Mar perder sua sede histórica, localizada na Rua Prefeito Osvaldo Pessoa, em Jaguaribe.

O espaço voltou para a igreja e o clube deixou de funcionar oficialmente. Hoje, o campo onde tantos jogadores começaram já não existe mais. A quadra segue de pé, mas distante da movimentação de outras décadas.

Ainda assim, o legado do Estrela permanece vivo na memória dos antigos frequentadores e na Associação Filhos da Cruzada, criada para preservar troféus, fotografias e histórias de um dos clubes mais simbólicos do futebol paraibano.

Fontes: Revista Estrela do Mar (Ramomm Monte) e Quinca (ex-presidente do clube).

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