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Polícia conclui inquérito e seis profissionais de saúde são indiciados

Casco aconteceu no Isea em Campina Grande. Leonardo Silva/Arquivo

Seis profissionais de saúde, sendo quatro médicos e duas enfermeiras, foram indiciados pela Polícia Civil após a investigação sobre a morte de uma gestante e do bebê que ela esperava no Instituto de Saúde Elpídio Almeida (ISEA), em Campina Grande. O caso aconteceu em março de 2025.

Segundo a polícia, a investigação, concluída após 1 ano e 3 meses do ocorrido, apontou falhas no atendimento prestado à paciente, que tinha uma gravidez de alto risco. Entre os problemas identificados estão demora na adoção de medidas médicas, falhas na condução do parto e procedimentos considerados inadequados para o quadro clínico da gestante.

Os laudos analisados durante a apuração indicam que o bebê morreu ainda durante a gestação após um rompimento da parede uterina. De acordo com a Polícia Civil, uma intervenção cirúrgica realizada mais cedo poderia ter evitado o óbito.

A gestante morreu 25 dias depois. Conforme os exames periciais, a causa da morte esteve relacionada a uma condição genética preexistente, agravada pelas complicações ocorridas durante o atendimento médico, e, segundo a nota da polícia “A investigação não identificou conduta criminosa por parte dos profissionais que participaram da cirurgia de emergência realizada posteriormente, uma vez que atuaram na tentativa de preservar a vida da paciente.”

A investigação também identificou indícios de violência verbal e psicológica contra a paciente durante o período em que esteve internada.

Os nomes dos profissionais não foram divulgados. O caso foi encaminhado ao Ministério Público da Paraíba e à Justiça, que vão analisar as conclusões da investigação e decidir sobre os próximos passos.

A Polícia Civil afirmou que as condutas apuradas são individuais e não representam o trabalho realizado pelo ISEA.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande disse que desde que tomou conhecimento da denúncia, em 2025, adotou todas as medidas administrativas cabíveis, “promovendo a imediata instauração de procedimento de apuração interna, com a realização de sindicância administrativa para análise dos acontecimentos e adoção das providências pertinentes”.

Como resultado das medidas administrativas, segundo a Saúde, foi determinado o afastamento cautelar dos profissionais diretamente envolvidos no caso em investigação. Afirmou ainda que dois profissionais de saúde mencionados nas apurações não integram mais o quadro de profissionais em atividade no ISEA.

A secretaria não disse, no entanto, se novas medidas vão ser tomadas após a conclusão do inquérito.

Apesar da Polícia Civil não ter divulgado os nomes dos investigados, uma médica, por meio de nota, se manifestou sobre o indiciamento. A defesa dela disse que discorda da decisão que “reflete a complexidade do caso nem a melhor literatura médica aplicável”. Também foi dito que “a defesa confia plenamente na Justiça e demonstrará, na esfera apropriada, a inocência da médica”.