testemunhas são ouvidas em audiência de instrução em João Pessoa

À esquerda, Guilherme Pereira, e no lado direito da imagem, Ana Luiza – Foto: TV Cabo Branco. Gustavo Demétrio

Foi realizada na manhã desta segunda-feira (11) a audiência de instrução de Thiago Almeida Filho, réu por duplo homicídio qualificado pela morte de Guilherme Pereira e da namorada Ana Luiza, durante uma abordagem policial no bairro de Muçumagro, em João Pessoa, em 2024. A audiência foi realizada pela 1ª Vara do Tribunal do Júri de João Pessoa.

Na ocasião, foram ouvidas cinco testemunhas, incluindo o pai de Ana Luiza e a mãe de Guilherme. O réu Thiago Almeida Filho não foi ouvido, e a continuidade da audiência foi marcada para o dia 29 de maio.

A audiência não foi concluída e terá continuidade em data posterior, tanto em razão da necessidade de oitiva das demais testemunhas arroladas no processo quanto a pedido da defesa do réu, cujo advogado informou estar de atestado médico, alegando dores na coluna e impossibilidade de prosseguir, naquele momento, com a inquirição de todas as testemunhas.

À esquerda, Guilherme Pereira, e no lado direito da imagem, Ana Luiza – Foto: TV Cabo Branco. Gustavo Demétrio

Um processo administrativo na Corregedoria da Polícia Militar contra Thiago Almeida e outros quatro policiais militares que participaram da abordagem que resultou na morte do casal está em curso e ainda não há decisão sobre eventuais medidas administrativas contra os policiais. Os outros policiais não respondem criminalmente pela morte dos jovens.

Os laudos e o relatório de indiciamento

O Jornal da Paraíba teve acesso a três documentos da Polícia Civil que detalham os laudos feitos nos corpos de Guilherme Pereira e Ana Luiza, além do relatório da delegada do caso, Luísa Correia, que pede o indiciamento de um policial militar.

No laudo de Guilherme Pereira, que conduzia a moto naquele dia, o documento aponta que o cadáver do jovem apresenta perfuração transfixante no crânio resultante de tiro de arma de fogo, ou seja, o jovem foi atingido com um tiro na cabeça. O documento constatou que a bala entrou pelo lado esquerdo da cabeça da vítima e saiu no lado direito.

Para chegar à conclusão do laudo, os peritos analisaram não somente o corpo do jovem, mas também fizeram análises no capacete utilizado por Guilherme enquanto pilotava a moto. Nessas análises, conforme o documento, houve a constatação de que o capacete também foi perfurado pelo projétil.

Em relação ao laudo de Ana Luiza, a outra jovem que morreu com o acidente, o laudo que a reportagem teve acesso constatou que uma pancada forte na cabeça foi a causa da morte. Conforme o documento, “nenhum elemento de munição ou fragmentos de munição” foram encontrados no corpo da mulher.

O Jornal da Paraíba também teve acesso ao relatório da delegada Luísa Correia. No documento, ela indicou o policial militar Tiago Almeida Filho. Ela afirma no relatório que “o policial efetuou o disparo de arma de fogo que atingiu o jovem na cabeça e provocou a colisão da moto”.

Em se tratando da arma e munição utilizadas durante essa abordagem, a delegada apontou que a munição que atingiu o jovem era “similar a utilizada em fuzis” da PMPB. Dois dos policiais disseram, em depoimento para a polícia, que portavam fuzis durante a ação.

No indiciamento, foi informado que policiais militares que participaram da ronda que seguiu a moto dos jovens em novembro de 2024 tiveram pedido protocolado junto ao Comando da Polícia Militar para verificação das armas utilizadas naquele dia.

O depoimento dos policiais militares foi colhido pela Polícia Civil e todos os agentes negaram, nos autos, terem atirado contra o jovem, inclusive o que foi indiciado.

O policial militar foi indiciado por duplo homicídio qualificado consumado contra os dois jovens.