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MPF denuncia 10 pessoas por esquema em certame da Polícia Federal

‘Máfia dos concursos’: MPF denuncia 10 pessoas por esquema em certame da Polícia Federal. (Divulgação)

O Ministério Público Federal da Paraíba (MPF-PB) denunciou 10 pessoas da “máfia dos concursos” por fraude em um certame da Polícia Federal realizado em 2025. A denúncia aponta que as pessoas faziam parte do grupo criminoso que fraudava certames em pelo menos três estados, sendo eles a Paraíba, Pernambuco e Alagoas. A denúncia foi divulgada nesta terça-feira (28).

Esse processo é uma ramificação de investigações que envolvem um esquema que era sediado em Patos, no Sertão da Paraíba, e que desarticulou o grupo. Nas investigações mais amplas sobre a atuação do grupo criminoso, o delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento, chegou a ser alvo de buscas e apreensões e também foi afastado do cargo. Ele, no entanto, não foi denunciado especificamente pela fraude no concurso da PF.

O Jornal da Paraíba não conseguiu localizar a defesa dos investigados.

A investigação sobre fraude em concurso da Polícia Federal identificou um esquema voltado ao cargo de delegado, com o objetivo de beneficiar indiretamente um dos denunciados. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), há indícios consistentes da atuação do grupo, como movimentações financeiras atípicas e trocas de mensagens que apontam a participação dos envolvidos.

De acordo com a denúncia, o esquema operava com lógica comercial, com valores definidos a partir do salário inicial dos cargos pretendidos, podendo ultrapassar R$ 280 mil por candidato.

Ainda conforme o MPF, os denunciados foram identificados com funções distintas dentro da organização, atuando como gestores, intermediários, responsáveis pela resolução das provas, executores da extração de imagens e beneficiários. Entre os crimes apontados estão organização criminosa, fraude em certame público, lavagem de dinheiro, corrupção, falsidade documental e embaraço à investigação.

Dois dos denunciados chegaram a firmar acordos de colaboração premiada, mas o MPF pediu a revogação dos benefícios por descumprimento das condições. O órgão afirma que ambos omitiram informações relevantes e continuaram a praticar atividades ilícitas mesmo após a assinatura dos acordos.

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O esquema

A Polícia Federal desarticulou um esquema de fraudes em concursos públicos liderado por uma família de Patos, no Sertão da Paraíba, que cobrava até R$ 500 mil por vaga. No ano passado, uma operação cumpriu mandados de busca e apreensão e prendeu o chefe do grupo, que morreu posteriormente no estado.

De acordo com as investigações, a organização utilizava tecnologia para burlar os sistemas de segurança das bancas examinadoras, com o uso de dublês, pontos eletrônicos implantados cirurgicamente e comunicação em tempo real durante as provas.

Os valores cobrados variavam conforme o cargo e o nível de dificuldade do concurso. Além de dinheiro em espécie, o grupo aceitava pagamentos em ouro, veículos e até procedimentos odontológicos como forma de quitar a propina.

A apuração indica que o esquema funcionava há mais de uma década. Nesse período, o grupo teria comercializado aprovações, corrompido agentes de fiscalização e utilizado mecanismos sofisticados de fraude e falsificação para garantir vagas em cargos de alto escalão.

Segundo a Polícia Federal, as irregularidades atingiram concursos de órgãos como a própria corporação, a Caixa Econômica Federal, as polícias Civil e Militar, a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o Banco do Brasil e até o Concurso Nacional Unificado (CNU).