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Afinal, Kill Bill é 1 ou são 2?

Foto/Divulgação.

Kill Bill volume 1 foi lançado em 2003. Kill Bill volume 2 foi lançado em 2004. Sempre entendi que eram dois filmes. Dois filmes absolutamente extraordinários.

Àquela altura, Quentin Tarantino tinha realizado Cães de Aluguel (1992), Pulp Fiction (1993) e Jackie Brown (1997). Todos, grandes filmes de um grande diretor.

Kill Bill volume 1 era, portanto, seu quarto filme, enquanto Kill Bill volume 2 era o quinto. Mas essa não era a sua conta. Para Tarantino, os dois eram um.

Essa conta ficou ainda mais clara e definitiva quando o cineasta disse que ia parar no décimo filme. Considerando Kill Bill como um único volume, faltava o décimo. Faltava, não. Ainda falta. Era Uma Vez em Hollywood (2019) é o nono.

Nesta quinta-feira, cinco de março de 2026, a versão definitiva de Kill Bill chega aos cinemas brasileiros. O 1 e o 2 montados num volume único. São 4 horas e 35 minutos de projeção com cenas inéditas e, naturalmente, um intervalo no meio da sessão.

Jean-Luc Godard e François Truffaut – como Kleber Mendonça Filho – migraram da crítica para a realização de filmes. Quentin Tarantino, não. Ele era “rato” de locadora de vídeo. Viu tudo, do lixo ao luxo do cinema, e aprendeu direitinho como é que se faz.

Há muitos anos, num texto sobre Tarantino, citei um livro de Jean Tulard: “O Dicionário de Cinema, na edição que tenho, é da época em que ele havia realizado apenas os dois primeiros filmes, mas já o apresenta como um dos grandes. Tanto que compara a sua estreia, pelo impacto que provocou, à consagração inicial de Kubrick e Spielberg”.

No mesmo texto, recorri a Roger Ebert. Referindo-se a Pulp Fiction, o crítico chamava a atenção dos seus leitores para os diálogos escritos por Tarantino: “Diálogo de tão alta qualidade que é digno de ser comparado com outros mestres da prosa enxuta e rude”.

Sigo com o que escrevi: “Os filmes de Quentin Tarantino recuperam o melhor diálogo do cinema. Seus personagens falam tanto quanto os tipos que vemos em cena num noir como Relíquia Macabra. Ou num clássico hitchcockiano como Festim Diabólico, cujo roteiro foi escrito a partir de um original de teatro.

A prosa enxuta e rude que Roger Ebert enxerga em Pulp Fiction é a mesma que temos nas intermináveis conversas sobre sexo e cinema de À Prova de Morte. Elas se alternam com grandes sequências. Ou nos conduzem a elas. E aí surge outro elemento imprescindível ao cinema de Quentin Tarantino: a música, que ele retira de uma discoteca afetiva, que não precisa existir fisicamente, apenas nas suas lembranças”.

Kill Bill, que deve mesmo ser 1 e não 2, ostenta, em seus 275 minutos, tudo o que há de bom em Quentin Tarantino. É um filme sobre vingança, tema que lhe é tão caro.

Em Kill Bill, como nos demais filmes de Quentin Tarantino, penso que a forma se sobrepõe ao fundo. No final, o que Quentin Tarantino faz são filmes sobre cinema.