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Que diabo é isso?

Foto/Divulgação.

O cara se chama Inaldo Cavalcante de Albuquerque. Nasceu em Igarassu, Pernambuco, em outubro de 1970. No mundo da música, se você chamá-lo de Inaldo, ninguém vai saber de quem se trata. Seu nome artístico vem da ficção-científica.

Jornada nas Estrelas foi um seriado famoso da televisão na década de 1970. Spock (assim, com “ck”), interpretado pelo ator Leonard Nimoy, era um dos tripulantes da nave USS Enterprise. Foi de onde o nosso Inaldo tirou seu nome artístico.

Pois é. No mundo da música, ou melhor, no mundo do frevo, Inaldo Cavalcante de Albuquerque ficou famoso como Spok. Sem “ck”. Somente com “k” no final. O maestro Spok, que, tocando seu sax alto, é também um exímio instrumentista.

A Spok Frevo Orquestra começou como um grupo de instrumentistas que, em meados da década de 1990, acompanhava Antônio Nóbrega em seus shows de frevo. Depois, foi que ganhou vida própria e passou a se chamar Spok Frevo Orquestra.

Spok e sua big band são responsáveis por uma inovação no frevo pernambucano. Ao formato clássico do frevo pernambucano – sobretudo na modalidade de frevo de rua -, o grupo acrescentou a improvisação jazzística.

Um ótimo retrato do trabalho da Spok Frevo Orquestra é seu álbum de estreia, Passo de Anjo, lançado em 2004 pela Biscoito Fino. Soma-se a esse disco o Passo de Anjo ao Vivo, de 2008, que recebe a guitarra baiana de Armandinho em Último Dia.

Certa vez, Spok e sua big band tocaram num festival de jazz na França. Quem estava na plateia era o trompetista americano Wynton Marsalis, um dos monstros do jazz. Marsalis, àquela altura, comandava a orquestra do Lincoln Center, em Nova York.

“Que diabo é isso?” – foi o que deve ter passado pela cabeça de Wynton Marsalis ao ver Spok ao vivo. Parece jazz, mas não é exatamente jazz. Depois do show, Marsalis foi ao camarim cumprimentar Spok e ouviu a explicação do maestro pernambucano.

Deve ter sido mais ou menos assim que Spok falou: “O que a gente faz é frevo, um tipo de música de Pernambuco, no Nordeste brasileiro, o lugar de onde eu venho”.

Naquele encontro, nos bastidores de um festival de jazz na França, nasceu uma parceria muito produtiva. Wynton Marsalis levou a orquestra de Spok para tocar no Lincoln Center, e Spok trouxe a orquestra do Lincoln Center para se apresentar no Recife.

Recife, abril de 2015. À tarde, no Paço do Frevo, diante de uma pequena plateia, Wynton Marsalis e Spok conversaram sobre jazz e frevo e, com seus instrumentos – o trompete de um, o sax do outro -, exibiram as técnicas de improvisação vindas do jazz.

À noite, no Parque Dona Lindu, diante de quatro mil pessoas, as duas orquestras se apresentaram – a do Lincoln Center e a de Spok. Cada uma fez seu concerto e, ao final, as duas big bands se juntaram para um número de frevo. Foi inesquecível.

O frevo com sotaque jazzístico da Spok Frevo Orquestra deixou Wynton Marsalis de queixo caído. Na plateia, também fiquei de queixo caído com o que vi ao vivo.