Sedhuc realiza 1ª Exposição de Oficinas Manuais dos grupos do Serviço de Convivência
A Prefeitura de João Pessoa, por meio da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania (Sedhuc), realizou a 1ª Exposição das Oficinas Manuais dos grupos do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV). A iniciativa reuniu trabalhos confeccionados por usuários de diferentes faixas etárias atendidos nos 14 Centros de Referência de Assistência Social (Cras) do Município, transformando o resultado das atividades realizadas ao longo do ano em uma oportunidade de valorização dos talentos e das histórias de quem participa dos serviços.
A exposição foi organizada pela coordenação técnica do SCFV, em parceria com as coordenadoras dos Cras, e apresentou peças produzidas durante as oficinas de artesanato e outras atividades manuais. Além de estimular a criatividade, as ações desenvolvidas nos grupos contribuem para a convivência comunitária, o fortalecimento de vínculos, o desenvolvimento de habilidades e, em alguns casos, para a geração de uma renda complementar para as famílias.
Asecretária de Desenvolvimento Humano e Cidadania, Késsia Liliana Bezerra, destacou que a exposição representa uma forma de reconhecer e incentivar os talentos que muitas vezes permanecem dentro dos próprios grupos de convivência. “Que a gente possa promover quem está ao nosso redor e ser instrumento de crescimento e de engrandecimento para cada um. Um sorriso, um abraço, são muito significativos. Temos muitos talentos e precisamos mostrar para o mundo, de uma forma mais organizada, o que temos”, afirmou.
A secretária ressaltou que o trabalho desenvolvido pelo Serviço de Convivência tem como um de seus principais objetivos a construção e o fortalecimento dos vínculos entre os participantes. “Esses vínculos precisam ser cada vez mais trabalhados com crianças, adolescentes, adultos e idosos. É para isso que a assistência existe”, acrescentou Késsia.
À frente da organização da exposição, a coordenadora técnica do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos dos 14 Cras, Edileuza Maria do Rego, explicou que a iniciativa surgiu da vontade de dar visibilidade ao trabalho que já é desenvolvido cotidianamente nos serviços. “Nós pensamos: por que não ocupar esse espaço e expor esse trabalho? Foi aí que decidimos fazer esse momento. Trouxemos essas mulheres para o lugar de protagonismo, expondo seus trabalhos nos corredores da Prefeitura, e está sendo um sucesso. Esse foi o primeiro pontapé de muitos”, destacou.
O SCFV funciona de segunda-feira a sexta-feira e atende crianças, adolescentes e idosos. As atividades vão além da produção artesanal e incluem música, dança, palestras, rodas de conversa e outras ações voltadas à convivência e ao fortalecimento dos vínculos sociais e familiares.
Autonomia financeira – Entre as expositoras estava Maria Augusta de Souza Silva, de 61 anos, moradora de Gramame e participante do serviço de convivência. Há oito anos no bairro, ela conta que encontrou no Cras um espaço de acolhimento, aprendizado e interação com a comunidade.
Maria Augusta produz principalmente pesos de porta, flores e outras peças utilizando materiais como papelão, retalhos e tintas. Para ela, as oficinas também podem representar uma possibilidade de complementar a renda. “Eu vou criando na medida em que tenho o material. Faço peso de porta, flores e outras coisas. O que tenho na minha mão eu tento desenvolver”, contou.
Além do artesanato, Maria Augusta participa de outras atividades promovidas pelo serviço, como oficinas temáticas realizadas em períodos como Páscoa e São João. Segundo ela, a experiência também contribuiu para ampliar sua convivência e seu sentimento de pertencimento à comunidade. “O Cras é muito acolhedor. Faz tudo o que é possível para ver a gente melhor e desenvolver aquilo que temos condições de fazer”, afirmou.
Conhecimento compartilhado entre gerações – No Cras Gramame, o artesanato também é utilizado como ferramenta de convivência e incentivo à autonomia. A educadora Pâmela Santos explicou que, diante das características da região e das dificuldades de acesso ao mercado de trabalho, a equipe busca utilizar materiais recicláveis e doações de retalhos para tornar as oficinas acessíveis aos participantes.
“A questão do artesanato foi uma das coisas que elas mais pediram, principalmente pela possibilidade de ter uma independência financeira. Como o acesso ao emprego é muito complicado e muitas já estão há bastante tempo fora do mercado de trabalho, a gente consegue desenvolver esse trabalho com elas”, explicou Pâmela Santos.
De acordo com a educadora, as oficinas também trabalham aspectos que vão além da possibilidade de comercialização das peças. A atividade manual estimula a coordenação motora, a memória e a criatividade, ao mesmo tempo em que fortalece a convivência entre os participantes.
O conhecimento produzido nos grupos também ultrapassa os limites do Cras. Algumas participantes levam o que aprendem para casa e compartilham as técnicas com filhas e netos, criando uma troca de saberes entre diferentes gerações.
Disposição para continuar criando – Outro destaque da exposição foi Alcinda Eulina da Silva, de 81 anos, participante do grupo do Cras Grotão há mais de três anos. A artesã apresentou diferentes trabalhos, entre eles peças de vagonite, crochê, pintura e cortinas artesanais.
Alcinda conta que já dominava muitas das técnicas antes de ingressar no serviço, mas encontrou nas atividades um espaço para compartilhar seus conhecimentos e também aprender com outras participantes. “Eu já sabia de muitas coisas. Mas a gente aproveita para compartilhar e trocar experiências”, relatou.
Para Alcinda, manter-se ativa por meio das atividades manuais faz parte de sua rotina. Mesmo diante das dificuldades, a artesã afirma que não deixou de produzir. “Eu não fico parada. Agora mesmo estou fazendo uma cortina de artesanato com canudo e emborrachado”, ressaltou. Além das oficinas manuais, Alcinda participa de atividades físicas, palestras e momentos de conversa promovidos pelo serviço de convivência.
A realização da primeira exposição reforça o papel do SCFV como espaço de encontro, participação e valorização das potencialidades dos usuários. Ao levar para um espaço público aquilo que é produzido nos grupos, a Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania amplia a visibilidade dessas experiências e mostra que cada peça carrega não apenas criatividade e habilidade, mas também histórias, aprendizados e vínculos construídos ao longo da convivência.