PB INFORMA

Notícias da Paraíba e Nordeste, futebol ao vivo, jogos, Copa do Nordeste

Noticias

Centros da Juventude colocam pessoenses em movimento, fazem sonhos ganhar forma e futuro ter sabor de conquista

Sorrisos espalhados por toda parte e um ar de despreocupação trazem leveza ao Centro de Referência da Juventude (CRJ) Adalberto da Silva Fernandes, no Valentina Figueiredo, em João Pessoa. Já na entrada do local dá para perceber a alegria em quase todos os sentidos do corpo. É possível ver empolgação, ouvir gratidão, sentir o cheiro do futuro e o sabor de conquista.

E tudo isso acontece porque cada jovem que entra em um CRJ coordenado pela Prefeitura de João Pessoa, por meio da Secretaria de Juventude, Esporte e Recreação (Sejer), recebe o reconhecimento do seu papel fundamental na sociedade. Afinal, os jovens são agentes de transformação, inovação e mudança. Assim como Arthur Gabriel, de 10 anos, que está há dois meses no jiu-jitsu e já sonha em ser um campeão.

“Daqui para julho eu vou participar do Campeonato Paraibano. Estou treinando muito. O professor disse que eu estou indo muito bem, consigo fazer muitas quedas bonitas, muitos golpes”, contou Arthur que estava acompanhado da mãe Rita Ana de Aragão Araújo. “É gratificante ter um espaço como esse. Quando eu vim fazer a inscrição e ele viu o jiu-jitsu disse logo: mãe, é isso que eu quero pra mim”.

Coordenador do CRJ do Valentina, Jandilson Arantes – carinhosamente conhecido como Taninha – muda até a expressão facial quando fala sobre o espaço. Fica nítido a sua felicidade em poder acompanhar e contribuir para as transformações nas vidas de cada jovem que chega até ali.

“Com certeza [promove mudança de vida]. Eu sou prova viva disso, pelo fato de ser morador da comunidade e hoje estar respondendo como coordenador do CRJ Valentina. Trazemos o jovem aqui para dentro dando uma profissão a eles. Muitos dos nossos atletas são campeões até brasileiros. Temos seis campeões brasileiros aqui dentro treinando conosco”, celebrou.

Como funciona – O CRJ Valentina funciona de segunda-feira a sexta-feira, das 8h às 21h30, e aos sábados das 8h às 12h. Os inscritos têm acesso a jiu-jitsu, capoeira, música, teatro e dança. O local tem 239 pessoas inscritas atualmente. Um espaço também para a inclusão, como no caso de Joseph Gonçalves da Silva, de 27 anos. Aluno do jiu-jitsu, ele perdeu 75% da visão quando tinha 12 anos por consequência de uma doença hereditária. O que não o impede de treinar com a turma do CRJ Valentina.

“Eu sempre digo aqui aos alunos que o jiu-jitsu é pra todos. Aqui é um local que a gente inclui todo mundo, seja com deficiência ou não. Foi o jiu-jitsu que me mostrou que mesmo você apanhando todo dia, tem que continuar, tem que persistir”, ressaltou.

CRJs em toda a cidade – João Pessoa tem cinco Centros de Referência da Juventude espalhados pela cidade. Além do Valentina Figueiredo, há CRJs instalados no Alto do Mateus, Mangabeira, Varjão e Funcionários – este último está em obras para reestruturação e ampliação da área. As atividades ofertadas são futsal, jiu-jitsu, dança, música, capoeira, teatro, exercício funcional, e tem também reforço escolar e Educação para Jovens e Adultos (EJA).

O secretário da Juventude, Esporte e Recreação (Sejer), Joãozinho Neto, destaca que os Centros de Referência da Juventude são fundamentais para a inclusão social e para o desenvolvimento dos jovens, além de funcionarem como espaços estratégicos de execução e monitoramento das políticas públicas voltadas à juventude.

“Nesses centros, a Prefeitura oferece atividades como jiu-jitsu, futsal, circuito funcional, aulas de dança, hip-hop e reforço escolar, entre outras, integrando esporte, educação e cultura. Isso contribui diretamente para a formação cidadã, promoção da saúde e geração de oportunidades. Os CRJs são, portanto, ferramentas essenciais para transformar realidades e garantir mais dignidade e perspectivas para a nossa juventude”, destacou.

Para se inscrever em um dos CRJs basta apresentar xerox do documento do aluno e dos pais ou responsáveis, além do comprovante de residência de João Pessoa. As inscrições abrem duas vezes por ano, janeiro e julho. Foi o que fez Maria Aparecida, de 14 anos, que pratica capoeira no CRJ do Valentina. “Foi a melhor coisa que eu fiz na minha vida. Esse esporte mudou muita coisa na minha vida. Aqui é ótimo, porque tem muitas pessoas que não têm condições e aqui é de graça”, disse.

Professores campeões – E quem escolhe aproveitar a oportunidade de fazer parte do ‘time’ dos Centros de Referência da Juventude vai ser orientado pelos melhores líderes. No Valentina, por exemplo, tem até professor que é tricampeão mundial de jiu-jitsu paradesportivo.

“Na verdade, quando começamos, seria uma turma só para pessoa com deficiência. E hoje a gente tem uma turma aqui gigantesca, de pessoas com e sem deficiência. Já temos campeões paraibanos, campeões sul-americanos e campeões brasileiros”, informou Rômulo Martins, professor de parajiu-jitsu.

Marco Antônio Belarmino da Silva. Esse é o nome completo do Mestre Zunga, professor de Capoeira no CRJ Valentina. Para ele, o Centro é a extensão da sua casa, tamanho o carinho com que se dedica às aulas e aos alunos.

“Além de ser funcionário, nós somos comunidade. Eu componho isso no dia a dia. Sou aquele mestre que vou passando na sala de aula para saber como é que o aluno está, porque está faltando. A gente se torna uma família. O esporte tem essa preocupação de formar bons cidadãos”, falou.

Dança folclórica – Começamos essa história com alegria e é com esse mesmo sentimento que caminhamos para o fim. E nada melhor para manter esse clima de felicidade do que falar de dança folclórica, especialmente a dança junina e suas nuances de cores festivas. Expressão artística que, aliás, é tão inclusiva quanto os Centros de Referência da Juventude.

Prova disso é a presença de Maria Suely de Lima, de 55 anos, uma jovem cheia de experiência. “A dança muda tudo. Você não está sozinha, não se isola. Fazer atividade é uma alegria, eu ainda sou jovem e pretendo ir além”, falou.

A colega de dança Michele Monteiro, de 20 anos, ressalta a importância de ter o espaço gratuito para dançar. “Para mim é muito significante ter um espaço como esse para ensaiar, para realizar uma dança que pode trazer felicidade para outras pessoas e nós mesmos”, disse.

As falas são fortalecidas por Gabriele Cristina, de 25 anos. “Aqui é onde tiro os problemas da cabeça. Perto da minha família, meus pais, minha irmã e minha filha de um ano, que está começando na dança também. Somos uma grande família, é maravilhoso fazer parte disso”, concluiu.