Suspeito de matar homem em hotel de João Pessoa disse que agiu por temer exposição, diz polícia

Suspeito de matar homem em hotel de João Pessoa alegou medo de ter relação exposta, diz polícia. Yanka Oliveira/TV Cabo Branco

O adolescente suspeito de matar Washington Rodrigo, de 33 anos, encontrado morto em um quarto de hotel em Manaíra, em João Pessoa, alegou à Polícia Civil que cometeu o crime por medo de ter a relação exposta. A informação foi divulgada pela Polícia Civil da Paraíba durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (28), após o adolescente ser ouvido em Caicó, no Rio Grande do Norte.

Segundo o delegado Diego Garcia, responsável pela investigação, o adolescente afirmou que o contato entre os dois aconteceu por meio de um site de relacionamentos. Após o encontro, ele teria se sentido intimidado pela vítima e usado uma réplica de arma de fogo para obrigá-la a entregar a senha do celular.

“Alegou que se sentiu intimidado e ameaçado pela vítima que supostamente teria fotografado alguma parte do momento íntimo dos dois, ao passo que fez ele se algemar, simulando um fetiche, e, mediante o uso de uma airsoft, o constrangeu para entregar seu celular para que ele verificasse se havia mensagem ou fotografias em detrimento de sua pessoa, já que ele se acha um teólogo e por isso não poderia ter a imagem corrompida”, disse o delegado.

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A versão apresentada pela Polícia Civil é semelhante à relatada pela defesa do adolescente na segunda-feira (27), em entrevista à TV Cabo Branco. Na ocasião, o advogado Ariolan Fernandes afirmou que o cliente confessou o homicídio e disse ter agido por medo de que a vítima divulgasse registros do encontro.

Polícia investiga morte de homem em hotel de João Pessoa.

De acordo com o advogado, o adolescente pesquisou um anúncio em um site de garotos de programa e a escolha da vítima teria sido aleatória. Ainda de acordo com a defesa, ele temia que a relação fosse exposta.

“Segundo o adolescente, ele teria medo por manter perante a sociedade a imagem de uma pessoa hetero, temia que aquela relação homossexual fosse exposta”, afirmou o advogado.

Ainda conforme a Polícia Civil, o adolescente relatou que utilizou o cabo do secador de cabelo do hotel para estrangular Washington Rodrigo. Segundo o delegado Diego Garcia, o investigado afirmou que a intenção era apenas deixar a vítima desacordada para conseguir sair do quarto.

Já o delegado Cristiano Santana, superintendente da Polícia Civil da Paraíba, afirmou que, após o crime, o adolescente tentou deixar o hotel usando o carro da vítima, mas não conseguiu.

“Ele tenta sair com o carro da vítima, mas não consegue e evade sozinho, em comportamento normal, inclusive fazendo postagens como se nada tivesse acontecido.”

Ainda segundo a Polícia Civil, não havia entorpecentes no quarto do hotel, mas havia uma luva cirúrgica. Os investigadores também apreenderam uma pistola de airsoft e algemas, objetos que, conforme o delegado, ajudaram a esclarecer a participação do adolescente no crime.

“Existe um airsoft que foi apreendido. De fato existiram objetos que foram de grande valia para identificação, com elementos robustos que identificavam a participação do menor”, afirmou Diego Garcia.

Ainda segundo a defesa, o adolescente apresentou um documento falso para entrar no hotel. O advogado também informou que ele palestrava em eventos, tinha despesas de transporte, alimentação e hospedagem custeadas pelos organizadores dessas atividades, trabalhava com marketing e recebia ajuda financeira de familiares.

Adolescente já respondeu por outros atos infracionais no RN

Durante a coletiva, a Polícia Civil informou que o adolescente possui pelo menos 17 boletins de ocorrência registrados no Rio Grande do Norte.

Segundo os investigadores, ele já foi internado em unidade destinada a menores infratores.

De acordo com a polícia, entre os registros há atos infracionais análogos a furto qualificado, extorsão, perseguição (stalking), ameaça, violência doméstica e lesão corporal em contexto de violência doméstica, entre outros crimes.

Relembre o caso

Washington Rodrigo, de 33 anos, foi encontrado morto na sexta-feira (24) em um quarto de hotel na orla de Manaíra, em João Pessoa. O corpo estava sobre a cama, com as mãos amarradas, um fio enrolado no pescoço e um pano na boca.

A Polícia Civil informou que o adolescente teria usado um nome falso para se hospedar no hotel e deixou o local sem registrar a saída. A investigação é conduzida pela Delegacia da Infância e da Juventude de João Pessoa.

Familiares disseram à TV Cabo Branco que Washington Rodrigo trabalhava como motorista autônomo e havia informado à mãe que faria uma corrida para Pipa, no Rio Grande do Norte, antes de desaparecer.