Cearte-PB realiza nova edição do Sarau Poético com imersão na obra de Danielle Alexa — Governo da Paraíba

O Centro de Educação e Arte da Paraíba (Cearte-PB) abre, mais uma vez, as portas do seu pátio para a poesia. Na próxima terça-feira (26), a partir das 15h, a Unidade I (Centro) se transforma em território de linguagem e afeto para receber a nova edição do Sarau Poético: “Entre a aorta espalhada e outras aparelhagens de guerra: A aorta sonha em voz alta”. A entrada é gratuita e aberta a toda a comunidade.

Esta edição do Sarau é uma imersão profunda na obra e na voz da professora e multiartista Danielle Alexa, construindo um espaço onde corpo, palavra e presença se tornam fluxo — onde poesia, prosa e dramaturgia se encontram e se entrelaçam. Mais do que um evento literário, trata-se de uma experiência coletiva, atravessada por questões de gênero, memória, luta e identidade, que convida cada pessoa presente a se reconhecer também como parte desse pulso.

Corpo, estética e política – Escritora, professora e multiartista, Danielle Alexa carrega em sua trajetória a marca de quem não separa arte de comprometimento. Graduada em Letras pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), especialista em Literatura e Ensino pelo IFRN e em Escrita Criativa pela Uniesp, e mestra em Literatura e Cultura pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), ela chegou ao Cearte-PB em 2023 como professora de Escrita Criativa — com foco em poesia, narrativas curtas e dramaturgia — e desde então tem sido uma força motriz na cena literária e cultural da Paraíba.

Sua atuação vai além da sala de aula. Como produtora cultural, Danielle desenvolve e participa de projetos nas áreas da literatura, da cultura popular, do teatro e do audiovisual. É a idealizadora do projeto Parahyba Cartonera, que aposta em práticas artesanais, acessíveis e politicamente situadas de produção e circulação do livro. Integra ainda, desde 2023, o Laboratório de Investigação Cênica em Teatro do Absurdo — espaço onde nasceu a dramaturgia A palavra não sabe o que diz (2025), uma de suas duas publicações mais recentes, ao lado do livro de poemas Entre a aorta espalhada e outras aparelhagens de guerra (2025), que empresta o nome a este sarau. São obras que bendizem e maldizem as urgências do tempo, que falam de guerra íntima e social, de corpo como território de resistência, de palavra como ato político.

O Sarau como patrimônio cultural – Realizado pelo Núcleo de Atenção e Estudo da Palavra (Naep), o Sarau Poético do Cearte-PB é uma ação da área de Literatura da instituição com um propósito claro: difundir e valorizar a literatura paraibana, estimular a criação poética e a expressão artística pela palavra, e fortalecer o diálogo entre as diferentes linguagens que convivem no Centro Estadual de Artes. Com o tempo, o que começou como encontro literário tornou-se algo maior — uma celebração que transborda os muros da escola e se instala no coração da cidade.

Para Laura Moreno, chefe de Núcleo do Cearte-PB, o evento já se consolidou como um elo vivo entre a escola e a comunidade: “O Sarau é uma ação muito preciosa para a comunidade do Cearte-PB, já está consolidada enquanto um verdadeiro patrimônio da Programação Cultural na Paraíba. Celebra a poesia de autoria feminina, ainda mais em se tratando de uma poeta que é professora do Cearte-PB e leciona num curso de Escrita Criativa para poesia — é algo extremamente simbólico. Além disso, o evento já ultrapassou os muros da escola”, destaca.

Expansão e diálogo entre linguagens – O coordenador da área de Literatura, Jairo Cézar, reforça que esta edição de maio chega com toda a força para celebrar a poesia de autoria feminina. E essa força não é estática — ela se renova a cada edição, em busca de novas formas de existir e de alcançar pessoas. É o que explica Danielle Alexa, que assina a organização e a mediação do evento e, desta vez, é também a poeta homenageada: “Estamos buscando trazer novas experiências, diversificar um pouco essa proposta do que é o Sarau, para além do movimento que a gente já vem trazendo de diálogo e de construção entre as áreas artísticas. Ou seja, trazer a diversidade de formatos, de temáticas e de lugares como essencial para a reestruturação contínua dessa ação, a exemplo da realização de edições do Sarau na Unidade do Espaço Cultural ou mesmo em outros locais”, projeta ela.

Programação

O sarau se organiza como um corpo em fluxo — com momentos de silêncio e escuta, de voz e de grito, de interioridade e de expressão coletiva. Desde a chegada, o pátio já estará preparado para acolher: a partir das 15h, a ambientação musical e a decoração — com poemas de Danielle Alexa pendurados na mangueira e elementos que evocam o corpo e o coração — anunciam que algo especial vai acontecer.

Às 15h30, a abertura oficial toma forma com fala da gestão, homenagem à poeta e uma mini oficina de Cartonera, seguida de encenações de poemas. Das 16h às 16h30, o espaço se abre para um momento de perguntas e respostas com a participação direta dos alunos e alunas de Danielle Alexa. Em seguida, das 16h30 às 17h30, é a vez do Sarau Aberto: leituras de poemas da autora e de outros nomes da literatura, novas encenações — e o microfone aberto para que o público possa interagir, declamar e fazer parte do fluxo. O evento se encerra com lanche coletivo, porque também a partilha é forma de arte.