João e Lucas terão que ‘enfrentar’ tema em campanha

divulgação/Secom-PB

O ex-governador João Azevêdo (PSB) e o governador Lucas Ribeiro (PP) não são investigados no caso Padre Zé. Nunca tiveram os nomes sequer citados nas apurações feitas até agora pelo Gaeco, que já resultaram em várias denúncias apresentadas à Justiça.

Mas os dois terão que conviver e ‘enfrentar’ o tema na campanha deste ano, em que Lucas disputará a reeleição para o Governo e João uma vaga para o Senado.

É que os supostos desvios milionários atingiram diretamente um dos principais programas sociais do Governo João Azevêdo, o Prato Cheio.

De acordo com a segunda denúncia apresenta pelo MP, os desvios em Termos de Colaboração firmados entre a Secretaria de Desenvolvimento Humano do Estado e o Hospital Padre Zé, na gestão do padre Egídio de Carvalho, chegaram à cifra dos R$ 10,3 milhões.

Na Capital, por exemplo, o programa estabelecia a distribuição de 4.000 mil refeições diárias a pessoas em situação de rua, mas somente 1.570 eram distribuídas. A prática, conforme a denúncia, fazia sobrar dinheiro para o pagamento de propina e as famosas ‘devoluções’ anotadas por ex-diretoras do hospital.

Além disso, as investigações apontam falhas na fiscalização, que teriam beneficiado um mesmo núcleo empresarial familiar.

Soma-se a isso o fato de João Azevêdo ter mantido no Governo, mesmo após a primeira denúncia apresentada pelo Gaeco (no início de 2025), os dois auxiliares implicados na apuração. Tibério Limeira na ‘Pasta’ da Administração e Pollyanna Werton no Desenvolvimento Humano. Ambos denunciados pelo MP.

Desde quando estourou o escândalo a gestão estadual tem buscado se afastar de seus desdobramentos. Adotou a estratégia de fazer de conta que não tinha nenhuma relação com os supostos desvios – mesmo com servidores e auxiliares investigados.

E foi com essa tática que conseguiu barrar na Assembleia o avanço das discussões sobre a CPI do Padre Zé.

Mas em um ano eleitoral, os adversários de João e de Lucas certamente não irão deixar passar ‘em branco’ o tema. E os dois, mesmo sem estarem na lista de investigados, precisarão falar sobre os desvios no Prato Cheio e explicar por que um programa criado para matar a fome de milhares de paraibanos acabou se tornando assunto de polícia. É esperar pra ver…