O ex-prefeito de Cabedelo, André Coutinho, procurou a 7ª Delegacia Distrital para denunciar o que classifica como perseguição, monitoramento ilegal e ameaças veladas contra pessoas próximas ao seu núcleo político e familiar. O registro de ocorrência acontece em um momento em que a cidade vive um clima de ebulição na política, com investigações que têm ligado nomes da política local a grupos que atuam no tráfico de drogas.
Um dos episódios relatados chama atenção. Segundo o ex-gestor, o carro de uma pessoa ligada a ele teve três dos quatro pneus cortados com faca recentemente, em uma ação interpretada como tentativa de intimidação.
André teve o mandato cassado a partir da ‘Operação En Passant’, da Polícia Federal e do Gaeco, que apurou nomeações de pessoas ligadas ao traficante Fatoka na gestão municipal desde a época do ex-prefeito Vitor Hugo.
Na decisão, a Corte entendeu que o então prefeito teria sido beneficiado eleitoralmente.
O ex-prefeito, porém, nega qualquer envolvimento. Ele sustenta que, durante as eleições de 2024, exercia a presidência da Câmara Municipal e lembra que sobre o Legislativo não recaem acusações semelhantes.
Depois da cassação, Cabedelo realizou eleições suplementares. O então prefeito interino, Edvaldo Neto, aliado político de Vítor Hugo, venceu o pleito, mas acabou afastado do cargo apenas dois dias depois por operação conjunta da Polícia Federal e do Gaeco.
As investigações apontam que, durante o período em que ocupou interinamente a prefeitura, Edvaldo Neto teria mantido o suposto esquema de contratação de integrantes das facções na gestão.
No depoimento prestado à polícia, André Coutinho afirma ainda ter recebido recados em tom de ameaça, com referências à rotina de familiares.
