O mercado de mentoria empresarial passa por um processo de expansão impulsionado pelo avanço da economia digital, pelo aumento do empreendedorismo e pela demanda por orientação estratégica para empresas em crescimento. Apesar disso, o setor ainda apresenta fragilidades estruturais, como baixa padronização, ausência de certificação institucional, dependência da marca pessoal dos mentores e limitações em governança organizacional.
Nesse contexto, o empresário Janguiê Diniz criou a Mentor Capital Group (MCG), uma holding estruturada com a proposta de atuar no segmento de mentoria empresarial. Constituída como Sociedade Anônima (S/A), inicialmente fechada, a organização adota práticas de governança corporativa, auditoria formal e prevê, como possibilidade futura, a abertura de capital.
“A mentoria empresarial cresceu muito nos últimos anos, mas esse crescimento ainda não foi acompanhado pela mesma evolução em estrutura, governança e critérios objetivos de qualidade. Existe uma lacuna institucional clara nesse mercado”, afirma Janguiê Diniz, idealizador do projeto.
A MCG se propõe a operar nesse cenário por meio de uma estrutura voltada à conexão entre mentores, conselheiros, investidores, empresários e lideranças empresariais. A organização foi concebida como um ecossistema com critérios definidos de entrada, governança interna e diretrizes de atuação.
Entre os elementos da estrutura está o Mentor Capital Standard (MCS), um sistema de certificação interna voltado à classificação de mentores com base em critérios como desempenho empresarial, capacidade estratégica, governança, ética e impacto comprovado. O modelo estabelece níveis de maturidade — Apex, Sovereign, Elite e Core — além da categoria Affiliated, destinada a participantes em fase de qualificação.
Na prática, o sistema estabelece uma progressão com critérios definidos. No nível Core, considerado porta de entrada no sistema de certificação, são exigidos indicadores como faturamento mínimo, crescimento, margem operacional, NPS e apresentação de estudos de caso. A categoria Affiliated funciona como etapa preparatória e inclui requisitos como receita recorrente mínima, equipe estruturada, contabilidade regular e disponibilidade para compartilhamento de informações em ambiente restrito.
Nos níveis mais elevados, os critérios tornam-se mais rigorosos. O nível Elite exige faturamento anual mínimo de R$ 10 milhões; o Sovereign, R$ 20 milhões; e o Apex, R$ 40 milhões, além de indicadores crescentes de margem, recorrência, governança e resultados comprovados. A distribuição entre os níveis também é limitada: Apex pode representar até 5% dos membros, Sovereign até 15%, Elite até 30% e Core até 50%.
“Hoje, o mercado de mentoria ainda opera com muita assimetria de informação. Em muitos casos, a escolha de um mentor é feita por percepção e posicionamento, não por critérios objetivos de estrutura, governança e entrega real. Nossa proposta é oferecer um padrão institucional que ajude a organizar esse ambiente para ajudar as empresas de mentoria a escalar”, diz Janguiê.
Outro componente da estrutura é o 4E Growth Framework, metodologia utilizada para avaliar e estruturar empresas de mentoria a partir de quatro dimensões: Elevation, Engine, Execution e Expansion. O modelo é apresentado como base técnica para validação e progressão dos participantes, com o objetivo de reduzir subjetividade na avaliação.
De acordo com a proposta, o modelo busca apoiar a transição de negócios centrados na figura do fundador para estruturas mais organizadas, com maior previsibilidade operacional. A metodologia envolve aspectos como posicionamento estratégico, estruturação de receita recorrente, governança, compliance, planejamento, indicadores de desempenho e possibilidades de expansão, incluindo novos mercados e operações de fusões e aquisições (M&A).
Modelo econômico
Para financiar sua operação — que inclui governança, certificação, metodologia, eventos e uma plataforma de conexões — a MCG adota um modelo de royalties mensais progressivos. As alíquotas variam conforme o nível do participante: 15% da receita para Affiliated, 13% para Core, 12% para Elite, 11% para Sovereign e 10% para Apex.
“Todo mercado que cresce sem estrutura chega a um ponto de inflexão. Ou se organiza, ou começa a perder credibilidade. O que estamos propondo é justamente antecipar essa profissionalização e criar uma nova camada institucional para o setor de mentoria empresarial”, afirma Janguiê Diniz.
A estrutura de governança da MCG inclui Assembleia Geral de Acionistas, Conselho de Administração Estratégico, Conselho Consultivo, Diretoria Executiva e comitês técnicos permanentes, como os de Certificação, Ética, Governança, Finanças, M&A e Expansão.
A iniciativa se apresenta como uma estrutura organizada para atuação no mercado de mentoria empresarial, com foco em critérios formais de avaliação, governança e articulação entre os participantes do setor.
