Pedro desiste, mas suas ideias precisam continuar

Ex-deputado Pedro Cunha Lima na CBN.

Felipe Nunes

A decisão de Pedro Cunha Lima em desistir da disputa ao Governo da Paraíba em 2026 é legítima, mas revela o quão desafiadores são os métodos que o atual sistema eleitoral impõe a quem pretende entrar numa disputa política. São barreiras que dificultam a construção de uma pré-candidatura e que ameaçam a pluralidade de ideias no debate público.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o ex-deputado citou a atual conjuntura política como fator determinante para o recuo. Apesar da expressiva votação que obteve nas últimas eleições, quando saiu das urnas representando mais de 1 milhão de paraibanos, não conseguiu construir uma base que pudesse sustentar seu discurso em 2026.

É fato que nesse percurso, o próprio Pedro pode ter cometido falhas, como o desinteresse de participar do debate político-partidário de forma mais engajada, em detrimento de um discurso mais técnico. Enquanto os demais pré-candidatos cuidavam de suas estruturas, o ex-parlamentar criticava os problemas na infraestrutura de diversas escolas do Estado, pedia o fim de alguns privilégios e não se colocava nos extremos da polarização. São temas que, infelizmente, não empolgam e nem sempre acrescentam numa pré-candidatura.

Mas, para além do desinteresse de Pedro, o recuo também demonstra como o atual modelo político, baseado muitas vezes na construção de grandes acordos, na distribuição de recursos para formação de bases e em pressões externas do sistema político minam o caráter democrático do processo. A grande pergunta que se faz, agora, é: quem vai representar aquelas bandeiras que o ex-tucano defendeu nas últimas campanhas, como o corte de gastos inúteis e o olhar sensível para a educação?

É claro que, assim como todos os demais pré-candidatos, Pedro tinha suas virtudes e também suas falhas e contradições. Discursos que às vezes não eram bem compreendidos. E que algumas vezes eram criticados por seus próprios eleitores.

Mas, a desistência da disputa, agora, lhe impõe uma responsabilidade ainda maior: a quem ele vai emprestar o seu discurso? E o que vai cobrar daquele que vier a receber o seu apoio?

Independentemente de qual seja a decisão, ao sair de cena, Pedro terá nas mãos a escolha de como poderá ser lembrado pelo público quando esse filme acabar. E, o melhor caminho para ele, mas principalmente para o debate público da Paraíba, é que suas ideias possam continuar no roteiro da democracia.