PB INFORMA

Notícias da Paraíba e Nordeste, futebol ao vivo, jogos, Copa do Nordeste

Noticias

Quase 170 pessoas foram resgatadas de comunidades terapêuticas na Paraíba em dois anos

Comunidades terapêuticas onde pessoas foram resgatadas nos últimos dois anos, pelo MPPB. MPPB

Quase 170 pessoas foram resgatadas de comunidades terapêuticas entre 2023 e 2025, na Paraíba. De acordo com o Ministério Público da Paraíba (MPPB), ao todo foram 164 resgatados de instituições onde estavam sendo mantidas contra a vontade, em condições inadequadas e submetidas à violência.

LEIA MAIS:

Segundo o MPPB, 16 instituições foram fiscalizadas nos últimos dois anos. Entre as principais inadequações, estavam medicamentos vencidos ou sem prescrição médica, além da ausência de profissionais da saúde qualificados.

A maioria dos locais fiscalizados não possuía registro legal como comunidade terapêutica e casos de maus-tratos, cárcere privado, violência física, psicológica e até sexual também foram registrados pelo Ministério Público

O que são comunidades terapêuticas e quais problemas foram encontrados

Comunidades terapêuticas são entidades privadas, sem fins lucrativos, que realizam gratuitamente o acolhimento de pessoas com transtornos decorrentes do uso, abuso ou dependência de substâncias psicoativas (SPA), em regime residencial transitório e de caráter voluntário.

As inspeções identificaram irregularidades graves na gestão das unidades. Uma das mais frequentes foi a ausência do registro legal como comunidade terapêutica. Na prática, a maioria dos estabelecimentos se enquadra como equipamentos de saúde, ministrando e disponibilizando medicamentos para os internos.

Também havia problemas na emissão do alvará sanitário ou outras documentações, assim como dificuldades em ter acesso ao prontuário individual dos acolhidos e do regimento interno disponível no local.

Outro ponto crítico foi o conhecimento de internações involuntárias ou compulsórias, sem respaldo legal, contrariando frontalmente as normativas nacionais que regulamentam a atuação dessas instituições. O problema foi constatado em 50% das unidades visitadas pelo grupo de trabalho.

Pessoas internadas

A fiscalização realizada pelo MPPB mostrou que duas das comunidades terapêuticas fiscalizadas tinham oito adolescentes internados, o que é proibido pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda).

De acordo com o MPPB, também foram encontrados idosos, mulheres, pessoas com deficiência física, com transtornos psíquicos que não eram decorrentes de álcool e drogas, como uma espécie de “depósito” de vulneráveis, situação de flagrante violação dos direitos humanos.

Como desdobramento destas fiscalizações, foram instaurados inquéritos civis públicos e ajuizadas ações civis públicas, para interdição dos estabelecimentos em razão das situações insalubres e nocivas à saúde dos internos.

As 164 pessoas mantidas nas comunidades terapêuticas contra a vontade foram resgatadas e os oito menores de idade encontrados foram encaminhados à rede de proteção da criança e adolescente.

Nos casos de agressão ou violência, os responsáveis foram levados para serem ouvidos na central de polícia de cada município.